(44) 3649-5855 -Rua 1° de Janeiro, 1163 - Centro - Palotina-PR

(44) 3649-5855 - Rua 1° de Janeiro, 1163 - Centro - Palotina - PR

Notícias / artigo

Entrevista com Marlos Melek


31-08-2017

A Reforma Trabalhista entra em vigor a partir de 11 de novembro, trazendo 209 alterações na Consolidação da Leis do Trabalho (CLT) de 1943. Para mostrar o que muda com a nova legislação e falar sobre a implementação na rotina das empresas, o Conselho Regional de Contabilidade (CRC-CE) traz a Fortaleza o juiz do Trabalho Marlos Augusto Melek, que participou da elaboração da lei e ficou conhecido como “pai da Reforma Trabalhista”. Em entrevista ao O POVO, o juiz garantiu que não haverá perda de direitos trabalhistas e que apenas com a aprovação da lei já existe ambiente favorável e geração de empregos.

OPOVO - Como será a implementação da Reforma Trabalhista na rotina das empresas?

Marlos Melek - Eu penso que o momento é importante para o empresário se aprofundar nas novidades que a Reforma Trabalhista traz, estimando assim, todos os impasses que a nova lei trabalhista pode gerar nas empresas. Eu oriento os empresários que tiverem alguma situação em algum setor da empresa ou com algum empregado que possa gerar algum passivo que aproveite esse período, até 11 de novembro, para solucionar essas questões de acordo com a nova lei.

OP - O senhor se considera pai da reforma trabalhista?

Marlos Melek - Eu fui convidado e pude participar da equipe de redação final da Reforma Trabalhista. Muita gente está me chamando de pai da Reforma Trabalhista. Mas eu lhe digo o seguinte: Jonh Kennedy tem uma frase que diz que o sucesso tem muitos pais, mas o fracasso é órfão. O trabalho em equipe é essencial e eu digo que são pais da Reforma Trabalhista todos aqueles que de alguma forma auxiliaram, apoiaram para que essa reforma fosse possível e acontecesse. Eu não me considero pai. Foi um trabalho em equipe.

 OP - Uns dizem que a Reforma Trabalhista tira direitos, outros dizem que não. Qual o seu discurso de defesa?Marlos Melek - Eu digo com muita convicção, com muita certeza, que a nova lei não precariza relação de trabalho, a nova lei não retira direitos de ninguém. Por quê? Porque eu fiz parte da comissão de redação e comecei a trabalhar com 14 anos de idade, com carteira assinada. Fui empregado e empregador e com mais de 12 anos como juiz não seria por minhas mãos que nós retiraríamos qualquer direito de um trabalhador.

 OP - Qual a razão das críticas?

 Marlos Melek - As pessoas dizem que retira direitos mas é só perguntar: você leu a lei? Que vai ouvir: não li. Tem muita coisa de ouvir falar. Esse momento até 11 de novembro é importante para conhecermos a lei, aprofundarmos a lei. O meu livro novo chamado Trabalhista - O Que Mudou? Reforma Trabalhista 2017 traz como era e como ficou. É um livro que serve para empresário, administrador, trabalhador, advogado, jornalista e pessoal de RH porque é sem jurisdiquês e bem didático. Reforma Trabalhista não tira direitos de ninguém, cria novas oportunidades e o tempo todo trabalha com meritocracia.

 OP - Em que medida o trabalho intermitente pode ser positivo?

 Marlos Melek -  Eu acho que o trabalho intermitente cria oportunidades para quem está fora do mercado de trabalho. Quem não concorda com a reforma diz que os trabalhadores vão ser substituídos. Eu não concordo porque não tem como fazer funcionar uma linha de produção com trabalhador intermitente. Tem que ter o quadro fixo. O intermitente vem para agregar quando a demanda aumenta, simples assim.

 OP - A Reforma Trabalhista não tira direitos?

 Marlos Melek - Eu faço um desafio público para que me apontem qualquer direito que esteja sendo retirado do trabalhador. Ela moderniza. Nós estamos falando de uma lei de 1943 onde está escrito, nós revogamos isso, que a mulher para processar uma empresa tem de pedir autorização do marido ou fala de datilografia quando nós estamos na era dos smartphones. Então, a nova lei trabalhista moderniza, traz a lei trabalhista para o espírito do nosso tempo, para o século XXI. E o que é mais importante, é uma das leis mais modernas do mundo, hoje, para regulamentar a relação entre capital e trabalho.

 OP - Onde as empresas mais erram?

 Marlos Melek - Onde as empresas mais erram é justamente o título do meu livro anterior, que infelizmente está esgotado. Mas as empresas mais erram nas pequenas armadilhas que estão ocultas na legislação trabalhista. Por exemplo, o fato do trabalhador fazer um intervalo de meia hora, quando deveria ser de uma hora, gera uma condenação para a empresa de uma hora e meia. Como pode meia hora virar uma hora e meia na matemática da Justiça do Trabalho? Inclusive a lei nova muda isso. O livro é uma ferramenta para evitar riscos nos negócios. As empresas também erram em compensação de horas extras. A nova legislação também corrige essa injustiça.

 OP - O senhor acredita que haverá mais oferta a partir da nova legislação?

 Marlos Melek - Eu tenho certeza que a nova lei trabalhista vai gerar empregos. A General Motors anunciou na semana passada que foi determinante o investimento de R$ 1,5 bilhão na fábrica do Rio Grande do Sul, a Reforma Trabalhista. Apenas pela aprovação da lei já tivemos uma redução no quadro de desemprego no Brasil, de 14 milhões e 200 mil para 13 milhões de pessoas. É um número elevadíssimo. Ainda mais de um milhão conseguiram emprego porque melhorou o ambiente de negócios. O empresário brasileiro que sempre foi maltratado pelo Estado.

 OP - As vagas surgirão na carteira assinada ou sobretudo na informalidade?

 Marlos Melek - As vagas surgirão na carteira assinada, eu não tenho nenhuma dúvida disso. Isso já começou a acontecer. Hoje existem 54% da força de trabalho na informalidade. Em um mês, um milhão e 200 mil pessoas arrumaram emprego e a reforma ainda nem entrou em vigor. Isso aconteceu porque o empresário brasileiro sempre foi tratado com profundo grau de hostilidade em várias áreas do Direito, inclusive na Justiça do Trabalho. A nova lei deu um gás para o empresariado brasileiro que já respondeu.

 

Leia o restante da entrevista AQUI.

 

Fonte: http://www.opovo.com.br/jornal/